O Inferno e eu

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Fui expulso do inferno.

O capeta não aguentou me ver por ali.

Minha alegria contagiava.

Até o excomungado começou a sorrir.

Careta não me assustava.

Meu calor humano era mais quente que lá.

E de tanto que cantava,

O demônio também passou a cantarolar.

Foi motivo de piada,

Quando do nada o chamei de “meu irmão”.

Uma lágrima caiu de seu rosto,

Não estava acostumado a viver aquilo não.

Sentiu um trem esquisito,

Não sabia se era paz ou se era compaixão.

E toda mágoa que sentia,

Começou a esvair do seu coração.

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Sua vida virou um inferno.

Até cantar “lepo-lepo” agora se via cantando.

Então de joelhos e mãos postas,

Com rabo entre as pernas pediu implorando:

Por favor, Senhor, leve-o daqui,

Porque meu orgulho está quase me matando!

Posso até carregar um par de chifres,

Mas não sou tão feio como estão me pintando.

Um poeta no inferno?!

Que chiste… O mundo está mesmo acabando.

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Autor: Sandro Ernesto 06/09/2017

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11 Resultados

  1. boccipoesias disse:

    Perfeito! Essa poesia foi uma das melhores! Sucesso no seu trabalho!

Seu comentário é sempre bem-vindo, Amigo... obrigado !

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