Árvore de Natal

Árvores de natal
        A ansiedade fazia com que meu coração disparasse de alegria, afinal de contas seria a primeira vez que colocaria meus pés em sua casa. Esqueci por alguns momentos de que morava com os pais, e tampouco fazia conta deste detalhe. O convite partiu dela e jamais recusaria. Tinha ela o poder de me deixar bobo feito um menino, incapaz de balbuciar um não, e agora… lá estávamos nós de mãos dadas, atravessando a rua em direção a sua casa. A cada sorriso que disparava em minha direção, ao mesmo tempo em que desconcertava, também aumentava minha altivez. Estava em êxtase. E se não era amor o que sentia naquele momento, era algo com sintomas bem parecido. Só me situei de que havíamos chegado ao destino, quando, ainda segurando minha mão firmemente, parou diante aquele portão de ferro e disse com a voz aveludada de sempre: _Crianças… chegamos! A fila dupla formada atrás de nós se desfez imediatamente numa algazarra, o que fez com que demorasse alguns minutos para conter a exaltação que trazia a tona aquela jornada.
         Estávamos todos felizes e o clima natalino da época era propício para tal evento. O deslumbramento só aumentara, ao descobrirmos de que se tratava de uma festa surpresa de confraternização, com direito a bolos, refrigerantes, doces e jujubas a vontade. Meus olhos acompanhavam atentamente a cada movimento dela, que se desdobrava em atenção a todos. E como não bastasse se vestir de carinho, tinha que se perfumar de generosidade. Para alegria geral da turma, havia escondido no quintal da casa, uma grande árvore de natal e como enfeite, dependurara um livro com dedicatória para cada um de seus alunos. E foi assim que ganhei o meu primeiro livro. Perdi as contas de quantas vezes li “As aventuras de Robinson Cruzoé”, escrita por Daniel Defoe e de quantas vezes desejei ter amigos como o Sexta-feira.
          O tempo passou como um passe de mágica e hoje, quarenta e cinco anos depois, a lembrança ainda traz o frescor daquele dia. Eu poderia jurar a vocês que em dado momento, ainda que o sol ofuscasse um pouco minhas vistas, pude ver perfeitamente…  asas aparecerem por fração de segundos das costas de minha professora, mas, o livro acabou por desviar minha atenção deste pormenor…  nele também eu via asas. A partir daquele dia eu podia também voar.
 
Autor: Sandro Ernesto 20/09/2015

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4 Resultados

  1. prjosemartins disse:

    Legal Sandro! Amei a crônica. Ela é harmônica correndo no tempo chegando ao final qual lindo evento.
    A sabedoria está para você e Deus também. Boa noite!

    • panografias disse:

      Escrita de uma forma pueril, as minhas lembranças são exatamente estas, meu caro amigo! Foi exatamente assim que ganhei meu primeiro livro. Obrigado pelo carinho da visita e comentário… que a Paz esteja contigo!

  2. Clara Mendes disse:

    Perfeito ♥

Seu comentário é sempre bem-vindo, Amigo... obrigado !

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