O primeiro ” Mister M “

O primeiro Mister M

__ Sandro… já pensou se… um rapaz filho único, casasse com uma moça também filha única?! A pergunta veio seguida de uma gostosa gargalhada.

__ Não uai! O que tem isto a ver?! Perguntei intrigado sem mesmo saber se era pegadinha ou piada. 

__ Os filhos deles não terão nem tio e tia, muito menos primos e primas! (risada)… que triste isto… não acha?! Disse-me seguido de mais gargalhadas.

        A Cláudia era assim! E por ser assim, queria tanto publicar seu primeiro livro de poesias. Decidimos entre amigos, irmãos e vizinhos que faríamos uma apresentação circense para arrecadar fundos. Como sempre quis inovar.

__ Farei um palhaço mágico! E para isto acontecer, tive que passar a semana inteira criando e preparando as mágicas debaixo do maior sigilo. 

         Finalmente chegou o dia do “Festival de Palhaços”. Os números ensaiados, na maioria rendeu boas gargalhadas da criançada. Apresentado pelo anfitrião do circo, entrei em cena. Dois palhaços carregavam minha mesa devidamente preparada. Com sotaque americanizado misturado com caipira começava meu número: tirar coelhos da cartola. O fundo da cartola deslocava juntamente com a pequena tampa acima da mesa, invisível aos olhos dos espectadores. Um fino elástico fazia que ambas voltassem ao lugar assim que tirasse a mão.
__ Agora preparar olhos que ieu tirar coelho! Dizia com um ar de seriedade. Para alegria e surpresa da criançada… saia uma galinha. A risada era geral
__ Bem … eh… preparar olhos que agora sair coelho! O pombo que saiu, posou no meu ombro e depois voou para o aro da cesta de basquete, o que fez aquele momento ficar mais mágico. Em outras tentativas saíram balões recheados de confetes que ao estourar dava um efeito visual magnífico. Lenços indianos de todas as cores, coelhinhos da índia e o tão esperado coelho branco também saiu (após um abracadabra já revoltado).
         Terminada esta parte da apresentação é que acontece a “Primeira Revelação do Mundo da Mágica”. Entra novamente os dois palhaços para retirar a mesa do palco. Para a surpresa de todo mundo… no chão, meu assistente vestido de mágico dormia, com a boca cheia de penas, abraçado à gaiolas, balões e outros apetrechos. A gargalhada aumentou quando, desesperado começo a cutucar com os pés o dorminhoco para que acordasse. Estava consumado. Seria o primeiro “Mister M” (aquele que revelava os segredos de mágica na programação do Fantástico). Havia acabado com o encanto da mágica?! Houve aqueles que defendessem a originalidade. Segui a apresentação. Meu assistente tirava um varal de lenços coloridos do meu bolso ao puxar um cravo branco. Soprava o dedo de uma das minhas mãos, enquanto na palma da outra enchia um balão. Tirava mais alguns lenços da varinha mágica … e mais alguns outros pequenos truques.

         É cruel dizer que tirei o encanto da mágica, mas a melhor mágica mesmo é ainda poder ouvir as gargalhadas da criançada até hoje, como fossem sons de estrelas no céus cintilando. Fomos convidados a fazer outras apresentações devido o sucesso. De ” Mister M ” aventurei-me em outros personagens como : “O Encantador de serpentes” que rendeu-me outras tantas gargalhadas e novas histórias, mas… isto vai ficar para uma outra hora. Quem viver, lerá ! Abraços


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