O cágado

O Cágado
Jurava ser uma tartaruga, mas como o nome sugere…
            Eu e meus amigos apostávamos “mergulho em apneia” numa das sete famosas lagoas de minha cidade. Era fera na apneia! Um verdadeiro campeão, categoria infanto-juvenil. Sim! O processo de fôlego começou, quando…! Bem… voltemos um pouco mais no tempo!
          ” Meu colchão era revestido por um plástico grosso, para que não encharcasse, caso urinasse a noite. E acontecia toda noite! Ao amanhecer minha cama se transformava numa verdadeira piscina olímpica. Urinar na cama, para quem não sabe, é como você tomar banho quente em época de frio e… o chuveiro queimar no meio do caminho. Graças a Deus não foi por muito tempo porque, aos 14 anos (está rindo?)… meu pai, homem sábio, nordestino cabra da peste, disse-me que faria uma simpatia, que repetiria todos os dias até resolver o problema. Fez o nome do Pai, pediu-me que ajoelhasse diante a cama, e sem que esperasse, empurrou minha cabeça na piscina… ops, quero dizer cama, quase me afogando na própria urina! Começava aí o meu talento para mergulho em apneia, com tempo recorde de aproximadamente 5 minutos (pelo menos foi o que me pareceu). Se resolveu?! Ahhhh os resultados foram excelentes, pois já no primeiro dia, minha cama estava mais seca que o nordeste (tudo bem que amarrei o dito cujo com barbante e que ficou parecendo uma bexiga de salaminho… mas resolveu). Sim… simpatia! “Mais tarde descobri que uma simples lâmpada acessa resolveria o meu problema.”
          Bom… (voltando da piscina para lagoa), naquele dia estávamos na parte funda. Brincávamos com o ar de nossos pulmões, quando vi uma agitação desesperada de meu amigo. Ele havia retirado um plástico que ajuda na vedação da tampinha de Coca-Cola e mastigava feito goma de mascar. Ao tentar puxar o ar, o bendito plástico tampou-lhe a garganta, levando-o ao afogamento. Fui o primeiro a ser agarrado pelo pescoço (como uma fã do Justin Bieber, enlouquecida). Tive que imediatamente submergir e em frações de segundos, me veio à ideia de fazer o salvamento pelo fundo. Agarrei-lhe os pés, de forma que pudesse empurra-lo para beira da lagoa. Senti por várias vezes, ser agarrado pela cabeleira, o que não me impediu de continuar o salvamento. Já salvo a beira da lagoa, pudemos refletir sobre o episódio do afogamento. Aquele plástico vedava maravilhosamente!
            E foi buscando todo ar que restava ao nosso redor, que vi uma pequenina tartaruga. Já havíamos capturados piabinhas aos montes e a pequena tartaruga era um presente de Deus (talvez uma gratificação pelo salvamento). Vim correndo para casa feliz da vida. Na laje da minha casa (que era meu mundo à parte), havia uma caixa d’água que abastecia-nos com uns 3.000 litros. A caixa feita de alvenaria, às escondidas me servia de piscina… as vezes. O meu amor pelos animais, fez com que eu colocasse os peixinhos e a suposta tartaruga no reservatório, tornando-o meu aquário particular. O bichinho quando molestado, soltava um liquido leitoso na água e eu delirava com aquilo. Pensava comigo que, se não fosse uma bela defesa de camuflagem, teria que fazer uso da simpatia do meu pai com ele também. Os dias passavam felizes, sempre! Passava horas a fio, brincando com minha tartaruguinha e tudo corria as mil maravilhas, senão fosse por um pequeno detalhe: _ao passar de uma semana, todos da casa foram agraciados de súbita coceira ao tomar banho. Uma coceira terrível que durava horas. Era no mínimo engraçado se não fosse trágico. Foi quando minha mãe bateu o martelo: Meninos… subam lá e esvaziem a caixa d’água e lavem-na com água sanitária. Desesperado, com relação ao meu aquário particular, retruquei:
_ Não mãe… Vai matar minha tartaruguinha e os peixinhos mãeeeeee!
_ O berro saiu como trovão: O quêeeee? O que você esta falando peste? Não acreditooooo…
Dos peixinhos, não me lembro de que fim tomou, mas soube naquela hora que aquilo não era uma tartaruga, quando minha mãe (numa bicuda de invejar o Cristiano Ronaldo) chutou o pobre do coitado em direção ao muro:
_Isto é cágado, cabeção! O bichinho quase virou capacete da segunda guerra mundial, achatado por natureza, para deleite de meus irmãos que se sentiram vingados pelas coceiras infernais. As coceiras cessaram. O cágado voltou para seu habitat natural e meu castigo foi esfregar a caixa até deixa-la bem limpa. Pelo menos não dedetizei a tartaruga como fez meu irmão com os passarinhos de meu pai… mas esta história, deixa que mais tarde eu conto. Quem viver lerá!
Abraços! 

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