Laika


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 “Exercício maior do amor”. Foi a melhor definição para a palavra “Família” que havia achado naquele momento, em um bate papo literário. E toda família que se preze, deveria estimular seus filhos a terem um animal de estimação. É um exercício maior ainda para as crianças desenvolverem seus sentidos, sentimentos e senso de zelo. “Quando a gente ama é claro que a gente cuida…” (acho que isto dá uma música).
___Domingo ensolarado de primavera. Perfeito para curtir a cama até mais tarde… se não fosse a algazarra da criançada do beco. O “Beco dos Chaves” era uma rua sem saída. Os moradores em sua maioria pertenciam a família Chaves. Descalço, com um pão em uma das mãos e na outra a caneca de café com leite, fui ver o que acontecia. A molecada encurralara um animal no final do beco e apedrejavam-no. A cena desta maldade tinha um agravante: o animal era apenas um cachorrinho. Só uma coisa dispersava a molecada com mais facilidade:  minha querida mãe. Chegava na janela de 38 cano longo em punho (descarregado, lógico) e gritava carinhosamente:__ “EU MATOOOOOO” e… pernas para que te quero. Aquela encenação sempre dava certo. Livre dos algozes pude perceber que o cachorrinho estava faminto e de perna quebrada. Levei-o para casa sob protesto de minha mãe. Imobilizei a perna com uma tala, alimentei e só depois do banho vi de que se tratava de uma fêmea.
___Laika se tornou minha melhor amiga e com o passar do tempo, também amiga daqueles que um dia apedrejaram-na. Um belo exemplar de pastor alemão.  Brincava e chorava junto a mim e nos escoltava aonde fossemos. Se fossemos ao matiné, permanecia ali deitada junto a porta do cinema à nossa espera até a volta para casa. Esta proteção estendida às crianças do beco passou a ser um problema, visto que os pais não podiam mais chamar atenção de nenhuma criança em tom mais áspero sem ouvir o rosnado ameaçador de Laika. Um belo dia desapareceu tão misteriosamente como havia aparecido. Buscas foram em vão e o choro inevitável, mas meu coraçãozinho de 10 anos dizia que ela estava bem em algum lugar de minha cidade. Acho que foi melhor assim porque doeu menos do que ver o Perí ( outro cachorrinho nosso ) ser sacrificado. No lugar de sua cova no quintal, cresceu um pé de goiaba que só eu comia os frutos. Não sei o porquê. Acho que era porque dizia aos caçulas que as goiabas ganiam baixinho ao serem mordidas  rsrsrsrsrsrs.

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Sandro Ernesto

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4 Resultados

  1. Que texto lindo Sandro!Caiu um cisco no meu olho aqui…
    Parabéns meu amigo, emoções descritas com a sensibilidade de quem sabe tocar o coração de quem
    lê! Impossível ler e não vivenciar cada palavra…
    A infância é realmente uma época inigualável,e que sorte da Laica encontrar você!
    Um beijo

    • panografias disse:

      Tive uma infância maravilhosa sim minha querida amiga. A Laika encarnou a gratidão na forma de amizade e na realidade a sorte foi minha de encontra-la. Obrigado pela gentileza do comentário minha amiga. Tenha uma semana abençoada!

  2. mskawanami disse:

    História divertida. 🙂

    • panografias disse:

      Grande Marcos Satoru… que prazer receber seu comentário aqui meu caro amigo. A minha infância foi uma grande diversão (coitada da minha mãe rsrsrsrs). Obrigado pela visita… tenha uma semana produtiva e iluminada. Um grande abraço

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